A Identidade do Justo e o Sinal da Fidelidade de Deus à Aliança
- 30 de dez. de 2025
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Fui moço e agora sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão.
Salmo 37:25
Dentro da perspectiva da Antiga Aliança, esse justo é o que cumpre a Lei, busca a Deus com integridade, evita o mal e vive pela fé. Como afirma Paulo, mesmo antes da cruz, “o justo viverá pela fé” (Habacuque 2:4; cf. Romanos 1:17). Portanto, não se trata de uma justiça perfeita por obras, mas de uma justiça contada pela fé, como no caso de Abraão (Gênesis 15:6; Romanos 4:3).
O Salmo 37 é uma exposição da fidelidade de Deus para com esse justo. Deus cuida dele, o sustenta e garante sua provisão. Essa preservação é fruto da aliança de Deus com Israel e da resposta de fé do justo. No entanto, essa justiça ainda era sombra daquilo que viria pela Nova Aliança em Cristo.
No entanto, em 2 Coríntios 5:21, Paulo apresenta a essência da justiça segundo a Nova Aliança: Cristo foi feito pecado por nós, para que, em união com Ele, fôssemos feitos a própria justiça de Deus.
Sob este prisma da Nova Aliança, justiça é:
• Espiritual: não visível, mas real na nova natureza (2Coríntios 5:17).
• Legal: é um decreto divino; somos justificados diante de Deus.
• Posicional: é a nossa nova posição diante de Deus — sem culpa, sem condenação.
• Imputada: não conquistada por obras, mas recebida pela fé.
• Transformadora: muda a consciência, o modo de falar, orar e viver.
Como ensina E. W. Kenyon, “A justiça é a capacidade de estar na presença de Deus sem senso de culpa, condenação ou inferioridade”. É a libertação final da consciência de pecado e da escravidão da carne. É ser colocado numa posição de plena aceitação diante do Pai — como se nunca tivéssemos pecado. Isso afeta profundamente:
• Nossa identidade: somos nova criação (2Co 5:17), filhos justos e legítimos.
• Nossa ousadia espiritual: podemos entrar confiadamente no Santo dos Santos (Hebreus 10:19-22).
• Nossa autoridade espiritual: falamos em nome de Jesus e exercemos domínio (Lucas 10:19).
• Nossa vida de oração: a oração do justo é eficaz (Tiago 5:16).
• Nossa herança: temos acesso a todas as bênçãos espirituais (Efésios 1:3).
A justiça de Deus não é apenas um status moral, mas uma natureza imputada e implantada no espírito recriado do crente. Quando nascemos de novo, nossa velha natureza (pecaminosa) foi destruída, e uma nova natureza, a justiça de Deus, passou a habitar em nós. Esta justiça nos posiciona em Cristo, plenamente aceitos e aprovados pelo Pai.
E.W. Kenyon ensina: “Devo me apegar à confissão da nova criação, de receber a vida e a natureza de Deus.”
— Há poder em declarar a Palavra de Deus, E.W. Kenyon
Somos justos não por obras, mas porque fomos feitos justiça de Deus em Cristo. Isso nos torna filhos legítimos — não filhos adotivos no sentido legal humano, mas nascidos de Deus com Sua própria natureza - João 1:12
O novo nascimento nos introduz numa família espiritual onde Deus é Pai, Jesus é o primogênito entre muitos irmãos (Rm 8:29), e nós somos coerdeiros com Cristo.
Implicações dessa Justiça na Identidade:
• Não temos mais condenação (Rm 8:1)
• Temos paz com Deus (Rm 5:1)
• Temos livre acesso ao Pai (Ef 2:18)
• Somos participantes da natureza divina (2Pe 1:4)
• Somos feitos para reinar em vida (Rm 5:17)
Ser nova criação e filho justo e legítimo é estar estabelecido na justiça de Deus, que redefine nossa identidade, nosso acesso ao Pai e nosso papel no mundo. Não vivemos mais à sombra do pecado ou da acusação, mas na luz da justificação perfeita e eterna, concedida por meio da fé em Cristo.
A justiça de Deus em Cristo remove a barreira do pecado e nos posiciona em plena comunhão com o Pai. Essa posição gera ousadia espiritual legítima, fundamentada na obra completa de Cristo, não na performance do crente. Entramos no Santo dos Santos não com temor servil, mas com a liberdade de filhos justificados, sabendo que nossa presença é desejada e recebida - Romanos 8:17
Segundo Kenneth E. Hagin: “O crente em Cristo não é um mendigo espiritual. Ele é herdeiro de Deus, coerdeiro com Cristo, assentado com Ele nas regiões celestiais e tem direito legal a tudo o que a Palavra declara que é seu.”
Embora a herança seja espiritual, ela tem efeitos práticos e visíveis:
• A justiça espiritual produz ousadia (Pv 28:1).
• A autoridade espiritual afasta o diabo (Tg 4:7).
• A paz espiritual guarda a mente (Fp 4:7).
• A provisão espiritual se manifesta em finanças e suprimento (2Co 9:8).
A bênção espiritual é a causa, e a manifestação natural é o efeito. Quando o crente reconhece o que tem no espírito, passa a viver de modo vitorioso sobre o mundo, a carne e o diabo.
Tudo o que nos pertence já foi concedido pela graça — mas deve ser apreendido pela fé - Efésios 1:11. Em outras palavras, nós somos a herança de Deus, e Ele é a nossa herança. Cristo é a fonte e o conteúdo da nossa identidade. As bênçãos espirituais não caem automaticamente sobre nós. Elas são recebidas e vividas por meio de:
a) Conhecimento da Palavra - A fé começa onde a vontade de Deus é conhecida. Muitos crentes vivem aquém da herança porque não sabem o que lhes pertence. Paulo ora por isso em Efésios 1:18:
“… iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos.”
b) Confissão da Fé - A posse vem pela declaração — conforme ensinado por E. W. Kenyon: “A confissão precede a posse.”. Devemos declarar com fé o que a Palavra diz: “Eu sou abençoado com todas as bênçãos espirituais. Sou justo. Sou curado. Tenho autoridade. Sou suprido.”
c) Ousadia na Oração - Hebreus 4:16: “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça…”. Por estarmos em Cristo, temos acesso direto ao Pai para tomar posse da herança em oração.
Portanto, há uma intima relação entre Salmos 37:25 e 2 Coríntios 5:21 — Sombra e Substância. O justo de Salmo 37:25 é uma sombra profética, apontando para a realidade plena revelada em 2Coríntios 5:21. A preservação divina do justo no Antigo Testamento prefigurava os benefícios da justiça imputada em Cristo:
• No Salmo, Deus sustenta o justo por causa da aliança.
• Em Cristo, Deus nos fez justos pela aliança do sangue do Cordeiro.
Ambos os textos convergem na fidelidade de Deus — mas agora, na Nova Aliança, a justiça não é apenas vivida, ela é concedida como natureza espiritual. Assim sendo, os benefícios de ser feito justiça de Deus incluem:
• Liberdade da culpa e da condenação (Romanos 8:1)
• Autoridade sobre o pecado e o diabo (Romanos 6:14; Lucas 10:19)
• Plena herança das promessas (Gálatas 3:13-14)
• Direito à saúde divina (1Pedro 2:24)
• Capacidade de reinar em vida (Romanos 5:17)
• Paz com Deus (Romanos 5:1)
• Caminhar em domínio espiritual (Efésios 2:6)
• Justiça (2 Co 5:21)
• Sabedoria (1Co 1:30)
• Provisão (Fp 4:19)
• Paz e alegria (Rm 14:17)
• Vida eterna e natureza divina (2Pe 1:3-4)
A justiça de Deus é a base da nossa vida cristã, da nossa fé eficaz e da nossa comunhão com o Pai. Sem essa consciência, o crente vive instável, vacilante, sujeito ao medo e à insegurança espiritual.
A justiça de Salmo 37:25 é o fruto visível da aliança — uma justiça demonstrada na conduta. A justiça de 2Coríntios 5:21 é a raiz invisível, espiritual, inabalável — uma justiça da qual toda vida vitoriosa flui.
Em Cristo, o crente é feito justiça de Deus, recebe a natureza divina e é capacitado a viver como justo — não apenas no que faz, mas no que é. Essa justiça é a base da vitória, da fé que opera, da oração eficaz e da vida abundante.
A herança do crente é inteira, atual e irrevogável. Tudo o que o Pai tem, Ele colocou à disposição de Seus filhos. Não há falta para quem está em Cristo. Como filhos de Deus, devemos renovar a mente com a Palavra, falar com ousadia o que temos e andar pela fé, sabendo que já fomos abençoados.
Artigo escrito por: Wilson Russo Negrizolo (@wilsonnegrizolo)
Graduado pelo Centro de Treinamento Bíblico Rhema e pela Escola de Ministros Rhema
Professor do Centro de Treinamento Bíblico Rhema
Ministro Verbo da Vida e na IEVV SP – Vila Leopoldina
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