O ABRAÇO DE DEUS NO DESERTO
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O fim de um casamento não representa apenas o encerramento de um contrato legal; pelo contrário, é o luto por um sonho, a fragmentação de uma rotina e, muitas vezes, o início de uma crise profunda de fé e identidade. O divórcio ou a crise conjugal podem abalar as estruturas da nossa casa, mas não têm poder para mudar quem Deus é, nem quem somos para Ele. Essencialmente, este texto é sobre nós e Jesus. É sobre receber o abraço que cura onde nenhum ser humano consegue tocar. A tristeza pode ser avassaladora e as Escrituras não ignoram o nosso sofrimento; na verdade, elas o acolhem. Divorciados não são cidadãos de segunda classe no Reino de Deus!
Muitos homens e mulheres, neste estágio, são atormentados por dúvidas cruéis sobre o seu valor. “Será que Deus ainda me quer?”, “Será que falhei irremediavelmente?”. Por isso, é vital que entendamos que DEUS realmente nos ama, mesmo com nossos erros e cicatrizes. O amor d’Ele não é baseado no nosso status civil, mas na aliança eterna que Ele fez conosco através de Cristo. Deus não rejeita a nossa tristeza; Ele a valida. Jesus chorou. Davi chorou. Jeremias chorou. Consequentemente, não devemos pular a etapa do luto. O luto não vivido se transforma em amargura ou doença emocional. Para curar, é preciso sentir. Para curar, a ferida precisará ser exposta.
Em Gênesis 21, encontramos a história de Agar, no deserto da rejeição, a esperança se esvaiu e o abandono doeu profundamente na alma. Acreditou que estava sozinha até que Deus ouviu o choro de Ismael e viu sua angústia. Surpreendentemente, Deus não apareceu para dar uma aula de teologia a Agar. Em vez de repreendê-la por chorar ou por ter desistido, Ele a chamou pelo nome. Então, abriu seus olhos para uma fonte de água que já estava lá, mas que ela não conseguia ver por causa da cortina de lágrimas. DEUS coleta nossas lágrimas! “ Tu contas as minhas vagueações; põe as minhas lágrimas no teu odre. Não estão elas no teu livro?” ( Salmos 56:8)
Você sente que precisa esconder sua tristeza de Deus ou das pessoas da igreja para parecer “espiritual”? Como você se sente ao saber que Deus, o Criador do Universo, está “colecionando” suas lágrimas porque elas são importantes para Ele? Qual foi o momento “deserto de Berseba” (o fundo do poço) nesta sua jornada de separação? Uma das maiores batalhas após um divórcio é a crise de identidade. Durante anos, “a esposa de fulano” e “ marido de beltrana”. Planos, finanças, rotina e até o nome estavam atrelados ao outro. De repente, esse vínculo se rompe. A pergunta ecoa no silêncio da casa: “Quem sou eu se não sou mais esposa ou marido?”. Os rótulos impostos pela sociedade são cruéis: “Divorciada”, “Fracassado”, mas o Céu tem uma opinião diferente.
Em João 4, podemos aprender muito com as lições da mulher samaritana. Jesus mostrou que o valor dela não estava na sua história conjugal conturbada, mas na sua capacidade de adorar e de ser uma evangelista. Ela deixou o cântaro de água (seu passado, sua vergonha) e correu para anunciar o Cristo. “Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. Quando passares pelas águas, estarei contigo; e quando pelos rios, eles não te submergirão...” (Isaías 43:1-2) Nossa identidade não está no anel que usamos (ou deixamos de usar), mas no Sangue que foi derramado por nós na cruz.
“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”. (Romanos 8:1) Mesmo quando sentimos que Deus nos “esvaziou”, Ele está preparando uma colheita. “Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.” (Jeremias 29:11) Nosso Deus é especialista em transformar “vales de ossos secos” em exércitos poderosos. Ele pode restaurar nossa alegria, sonhos e propósito. A cura é um processo, não um evento instantâneo. Haverão dias bons e dias ruins. Deixemos o Espírito Santo ministrar a paz que excede todo o entendimento sobre nossas mentes e emoções.

Em amor e orações,
Caroline Kruschewsky
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