OS SINAIS ACOMPANHAM OS QUE CREEM

O que Jesus quis dizer com "estes sinais acompanharão os que creem" — e por que essa promessa é para você.
"Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados." (Marcos 16:17–18)
Muitos crentes leem esse versículo e fazem, em silêncio, uma pergunta incômoda: "Eu creio. Então por que não vejo esses sinais na minha vida?" Alguns respondem que a promessa era só para os apóstolos. Outros concluem que, se o sinal não aconteceu, faltou fé. As duas respostas são fáceis. Nenhuma das duas é fiel ao texto.
A chave está em uma única palavra: o verbo que Jesus usou para "acompanhar". No grego original do Novo Testamento, ele é παρακολουθέω (parakolouthéō). Entender esse verbo muda a forma como lemos toda a passagem.
A conclusão, adiantada: os sinais fazem parte da vida cristã normal e acompanham os que creem. Não são reservados aos apóstolos nem a um grupo especial de ministros. Mas também não são um mecanismo que o crente controla: é o Senhor quem coopera e confirma a Palavra por meio deles.
Quem segue quem?
O verbo "acompanhar" (παρακολουθέω) une duas ideias: "ao lado de" e "seguir". Ele aparece só quatro vezes no Novo Testamento, e sempre com o mesmo sentido de estar perto, de forma contínua, ao longo de um caminho:
Lucas diz que acompanhou cuidadosamente todos os fatos desde o princípio (Lucas 1:3).
Paulo lembra a Timóteo que ele seguiu de perto o seu ensino, o seu modo de viver e a sua fé (2 Timóteo 3:10; ver também 1 Timóteo 4:6).
Jesus diz que os sinais acompanharão os que creem (Marcos 16:17).
Repare na direção da frase. Nos dois primeiros casos, é uma pessoa que acompanha alguma coisa. Em Marcos, a direção se inverte: são os sinais que acompanham as pessoas.
Jesus não disse que os crentes correriam atrás de sinais. Disse que os sinais iriam com eles. Sinais não são o destino da fé; são companheiros da fé. Quem está no centro é Cristo, a fé nele e a missão de anunciá-lo. Os sinais vêm junto.
Há ainda um detalhe importante: acompanhar não é produzir. Jesus não disse que os crentes "produzirão" sinais, como se fossem uma capacidade própria. Disse que os sinais os "acompanharão". O verbo descreve uma relação de companhia, não uma fábrica de milagres.
Uma promessa para todos os que creem
No versículo 16, Jesus diz: "Quem crer e for batizado será salvo." No versículo 17, Ele diz: "Estes sinais acompanharão os que creem." No grego, Marcos usa exatamente a mesma forma do verbo "crer" nos dois versículos: no primeiro, no singular ("quem crer"); no segundo, no plural ("os que creram").
Isso é decisivo. O grupo que recebe a promessa dos sinais é o mesmo grupo que recebe a promessa da salvação. Entre um versículo e outro, Jesus não cria uma categoria especial de crentes. Por isso podemos dizer que os sinais fazem parte da vida cristã normal.
E Jesus fala com certeza. O verbo está no tempo futuro, na forma usada para afirmar, e não para sugerir: "acompanharão", e não "talvez acompanhem". Ler a frase como "de vez em quando, alguns sinais podem acontecer com alguns crentes" é enfraquecer o que Jesus escolheu dizer.
Mas é preciso ler com a mesma honestidade o que o texto não diz. Jesus não disse "a cada um", nem "sempre". Ele não afirmou que cada crente manifestará cada um dos sinais da lista, nem com que frequência. E, enquanto o versículo 16 traz uma frase negativa ("quem não crer será condenado"), o versículo 17 não traz nada parecido. Em lugar nenhum está escrito "quem não fizer sinais não crê". Por isso, a ausência de um sinal num momento da vida não pode ser usada para negar a fé de ninguém.
Dois cuidados sobre a própria lista. Primeiro, tudo acontece "em meu nome": a autoridade é de Cristo, não do crente. Segundo, serpentes e veneno falam de proteção, não de ritual. A frase sobre o veneno é condicional ("se beberem"), e o exemplo bíblico está em Atos 28:3–6: em Malta, uma víbora se prende à mão de Paulo enquanto ele junta gravetos, e ele nada sofre. Transformar isso em rituais de manusear serpentes ou beber veneno é tentar a Deus, não crer nele.
Uma nota honesta: Marcos 16:9–20, o chamado "final longo" do Evangelho, não aparece em dois manuscritos gregos muito antigos, embora esteja na grande maioria dos manuscritos e já seja citado por Irineu no século II. Por isso, não construímos a doutrina dos sinais apenas sobre Marcos. Como veremos, Atos e as cartas de Paulo confirmam o mesmo quadro.
Não só para apóstolos: o testemunho de Atos
Se os sinais fossem exclusivos dos apóstolos, o livro de Atos os mostraria apenas nos Doze. Não é o que acontece.
Estêvão era um dos sete homens escolhidos para servir às mesas. Mesmo assim, "cheio de graça e poder, fazia grandes prodígios e sinais entre o povo" (Atos 6:8).
Filipe, outro dos sete, pregou Cristo em Samaria. Espíritos imundos saíam, paralíticos e coxos eram curados, e a cidade se encheu de alegria (Atos 8:5–8). É exatamente a sequência de Marcos 16: pregação, fé, libertação, cura.
Ananias é chamado simplesmente de "um discípulo". Não tinha título algum. Impôs as mãos sobre Saulo, que voltou a enxergar e foi cheio do Espírito Santo (Atos 9:17–18). É Marcos 16:18 acontecendo na prática.
A igreja inteira orou pedindo ousadia enquanto Deus estendesse a mão "para curar, e para que se façam sinais e prodígios pelo nome do teu santo Servo Jesus" (Atos 4:29–31). Não era um pedido dos líderes: era a oração da comunidade.
Ao mesmo tempo, Atos não diz que todos os crentes faziam sinais com a mesma frequência. Quando os crentes são dispersos, todos anunciam a Palavra, mas Lucas destaca os sinais em Filipe (Atos 8:4–6). O retrato é este: os sinais vão além dos apóstolos e chegam a crentes comuns, mas a forma e a intensidade variam de pessoa para pessoa. É exatamente o que "acompanharão os que creem" permite esperar.
E as línguas?
Jesus disse: "falarão novas línguas". A palavra "novas" indica línguas que o crente não aprendeu. Para entender o alcance dessa promessa, é preciso distinguir três coisas que costumam ser confundidas: o batismo no Espírito Santo, a oração em línguas e o ministério de línguas na igreja reunida.
O batismo no Espírito e as línguas
No livro de Atos, as línguas aparecem repetidamente quando os crentes recebem o Espírito Santo:
no Pentecostes: "começaram a falar em outras línguas" (Atos 2:4);
na casa de Cornélio, entre gentios (Atos 10:44–46);
entre os discípulos em Éfeso (Atos 19:6).
Atos 10 é especialmente claro. Os crentes judeus ficaram admirados porque o Espírito tinha sido derramado também sobre os gentios. E Lucas explica como eles souberam: "pois os ouviam falar em línguas e engrandecer a Deus" (v.46). As línguas foram o sinal pelo qual se reconheceu que o Espírito tinha sido recebido.
E para quem é essa promessa? Pedro responde no dia de Pentecostes: "a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos os que estão longe, a tantos quantos o Senhor nosso Deus chamar" (Atos 2:39). A promessa do Espírito é tão ampla quanto o chamado de Deus.
"Mas Paulo não pergunta se todos falam em línguas?"
Sim, em 1 Coríntios 12:30: "Falam todos em línguas?" E a pergunta espera a resposta "não". Mas repare no contexto. Paulo está falando do que "Deus estabeleceu na igreja" (12:28), ou seja, das funções e dons que operam na reunião da comunidade para o proveito de todos. Nem todos exercem o ministério de línguas diante da igreja reunida.
Em 1 Coríntios 14, porém, Paulo trata de outra dimensão: a oração em línguas dirigida a Deus.
"Quem fala em língua não fala aos homens, mas a Deus; em espírito fala mistérios" (14:2).
"Quem fala em língua edifica a si mesmo" (14:4).
"Se eu oro em língua, o meu espírito ora" (14:14).
"Dou graças a Deus porque falo em línguas mais do que todos vós" (14:18).
Se não houver intérprete, o crente deve ficar calado na reunião e falar "consigo mesmo e com Deus" (14:28). Paulo não proíbe: apenas transfere o uso para o momento particular.
E, no meio disso, Paulo afirma: "Quero que todos vós faleis em línguas" (14:5). Se 12:30 significasse que parte dos crentes jamais poderia falar em línguas, Paulo estaria desejando algo impossível. A coerência aparece quando fazemos a distinção: nem todos exercem o ministério de línguas na igreja reunida, mas a oração em línguas diante de Deus é desejada para todos.
E quando o sinal não acontece?
Jesus disse que os enfermos "ficarão bem". Não disse "talvez melhorem". Essa promessa não deve ser diminuída para caber na nossa experiência. Mas o Novo Testamento também não nos dá uma fórmula única para explicar quando a cura não vem. E toda explicação de causa única deve ser vista com desconfiança.
Os discípulos que não conseguiram
O caso mais instrutivo está em Marcos 9 e Mateus 17. Os discípulos tinham autoridade: Jesus já lhes havia dado poder sobre os espíritos imundos (Marcos 6:7). Eles tentaram libertar um menino endemoninhado e não conseguiram. Então perguntaram a Jesus por quê.
Jesus não respondeu "não era da vontade de Deus". Ele disse: "por causa da vossa pequena fé" (Mateus 17:20), e acrescentou: "esta casta não sai senão por meio de oração" (Marcos 9:29). Ter autoridade não significa ver o resultado garantido. A fé e a vida de oração de quem ministra fazem diferença real.
Mas também não é sempre "falta de fé"
O Novo Testamento mostra outros fatores:
A incredulidade do ambiente: em Nazaré, Jesus "não pôde fazer ali nenhum milagre… por causa da incredulidade deles" (Marcos 6:5–6).
A fé de outras pessoas: no caso do paralítico, Jesus viu "a fé deles", dos amigos que o trouxeram (Marcos 2:5).
Cura sem fé visível do enfermo: o coxo da Porta Formosa esperava dinheiro, não cura; a fé que operou foi a de Pedro no nome de Jesus (Atos 3:3–8, 16).
A distribuição dos dons pelo Espírito: ele reparte os dons "como quer" (1 Coríntios 12:11).
Por isso, duas conclusões são proibidas pela própria Bíblia. Não é correto dizer que toda ausência de cura prova que o enfermo não tinha fé. E não é correto dizer que toda ausência de cura prova que Deus não quis curar. Culpar sempre o doente é cruel; culpar sempre a "soberania de Deus" é cômodo. Nenhuma das duas atitudes é bíblica.
"Não aconteceu" não é o mesmo que "não acontece"
Dizer "orei por esta pessoa e ela não foi curada" é relatar um fato. Dizer "então os sinais não acompanham mais os crentes" é criar uma doutrina. O primeiro não prova o segundo. A experiência não pode reescrever a promessa.
Companhia, não mecanismo
Marcos termina a passagem assim: "E eles, tendo saído, pregaram por toda parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a Palavra por meio dos sinais que a acompanhavam" (Marcos 16:20).
O trecho começa e termina com o mesmo tipo de verbo: os sinais acompanham os que creem (v.17) e acompanham a Palavra pregada (v.20). Entre um e outro, os crentes agem: expulsam demônios, falam em línguas, impõem as mãos. E, por trás de tudo, está o Senhor, que coopera e confirma.
Isso nos protege de dois erros. O primeiro é a passividade: esperar que Deus aja sem que o crente faça nada, quando Jesus usou verbos de ação — expulsarão, falarão, imporão as mãos. O segundo é a autossuficiência: tratar o milagre como produto da nossa capacidade, quando é o Senhor quem coopera e confirma.
Em resumo:
A fé nos coloca entre aqueles a quem os sinais acompanham.
O nome de Jesus dá autoridade à nossa ação.
A obediência nos põe em movimento: pregar, orar, impor as mãos.
Deus continua sendo Deus na manifestação.
A falta de um sinal num determinado momento não deve ser usada para negar a fé de ninguém. Mas uma fé que abandonou toda expectativa, toda prática e toda manifestação sobrenatural não consegue explicar nem o "acompanharão" de Jesus, nem o que o livro de Atos relata.
O verbo que Jesus escolheu fala de companhia, não de automatismo; de promessa, não de mecanismo; de expectativa, não de controle. Os sinais não são o alvo da nossa caminhada. Mas, enquanto caminhamos com Cristo e anunciamos a sua Palavra, eles foram prometidos como nossos companheiros de viagem.
Wilson Russo Negrizolo é advogado, bacharel em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, especialista pela PUC-SP e com formação executiva pela Universidad Torcuato Di Tella (Argentina). É também formado pelo Rhema Brasil (CTBR) — onde atua como professor — e pela Escola de Ministros Rhema, exerce o ministério no Ministério Verbo da Vida e dedica-se ao ensino e à pregação da Palavra.
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