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Quando a Palavra, o Espírito e a Fé Caminham Juntos

2 de set.
7 min de leitura

Em uma casa pode haver diferentes cômodos, mas todos pertencem à mesma casa.

 

A reflexão que iremos trilhar surgiu no início desta madrugada e se ampliou pela manhã, à medida que estudava sobre a ação do Espírito Santo no desenvolvimento da fé.

 

Que essa exploração lhe traga reflexões e uma grande bênção, capaz de lhe permitir colocar em prática seus diferentes aspectos.

 

Deste irmão e servo em Jesus,

Carlos

 

“Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.”

Romanos 8:14

 

Existe uma diferença entre conhecer princípios espirituais isoladamente e aprender a viver uma vida integrada com Deus.

 

Podemos aprender sobre fé. Podemos estudar sobre oração. Podemos conhecer a importância da confissão da Palavra, do amor, da gratidão, do louvor, da generosidade, de plantar sementes e da obediência. Podemos compreender o valor de orar no Espírito e desenvolver sensibilidade à direção de Deus.

 

Mas talvez a maturidade esteja justamente em perceber que essas coisas não foram dadas como peças isoladas ou para competir entre si.

 

Quando alguém diz: “Eu sou da Palavra”; outro: “Sou da oração”; outro: “Sou do evangelismo”; outro: “Sou do Espírito Santo”, etc., sim, entendemos que ministérios podem ter, em Deus, ênfases maiores em determinadas áreas. Entretanto, todos esses recursos, pessoas, conhecimentos e habilidades específicas são somente recursos a serviço de Deus.

 

Elas são dimensões de uma mesma vida.

 

São como diferentes salas de uma mesma casa.

 

E, no centro dessa casa, não está uma técnica, um método ou sequer uma doutrina isolada.

 

No centro está Cristo vivo em nós, pelo Espírito Santo.

 

A Palavra é o fundamento

 

Jesus disse:

 

“As palavras que eu vos disse são espírito e vida.”

João 6:63

 

A fé precisa de fundamento. E esse fundamento não são nossas emoções, circunstâncias ou desejos. É aquilo que Deus revelou.

 

A Palavra estabelece os limites da nossa fé, alimenta nossa esperança, corrige nossos pensamentos e nos mostra quem Deus é, quem somos nEle e aquilo que Ele prometeu.

 

Por isso, não podemos desprezar a disciplina: ler, meditar, confessar e permanecer na Palavra.

 

Jesus também ensinou:

 

“Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.”

João 15:7

 

Observe a ordem: permanecer nEle e permitir que Suas palavras permaneçam em nós. Isso é extraordinário.

 

A fé bíblica não começa simplesmente com aquilo que eu quero. Ela nasce da comunhão com Aquele em quem creio.

 

O Espírito Santo vivifica a Palavra

 

Aqui encontramos uma dimensão essencial para que a verdadeira vida se expanda em nós.

 

Podemos ler uma passagem muitas vezes e, em determinado momento, enquanto meditamos nela, algo parece acender dentro de nós.

 

Essa Palavra que estava diante dos nossos olhos passa, então, a arder em nosso coração.

 

Observe: não surgiu uma nova Escritura. A verdade já estava escrita, mas agora o Espírito Santo está trazendo luz, entendimento, convicção e aplicação ao nosso interior, ao nosso espírito, ou coração.

 

Jesus disse que o Espírito Santo nos ensinaria e nos faria lembrar de Suas palavras, João 14:26, e que nos guiaria em toda a verdade, João 16:13.

 

É aqui que a vida cristã deixa de ser meramente informacional.

 

A Palavra fornece o fundamento; o Espírito ilumina o coração.

 

E, quando o coração enxerga, a fé encontra algo sobre o qual responder com autoridade e coragem.

 

A fé é a resposta do coração que crê

 

“A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo.”

Romanos 10:17

 

A fé, embora em sua pedagogia, seu método de ensino, possa nos orientar a dar passos, não deve ser reduzida a uma técnica para se obter resultados.

Ela é, antes de tudo, a resposta do coração àquilo que Deus revelou.

 

Sim,

 

Deus fala.

O coração percebe.

A fé crê.

A boca concorda e declara.

E a vida responde com ações.

 

Por isso, existe lugar para a confissão ousada da Palavra. Existe lugar para dizer ao monte. Existe lugar para permanecer firme quando as circunstâncias parecem contradizer aquilo que Deus colocou em nosso coração.

 

Mas a confissão não tenta obrigar Deus a agir. Ela expressa concordância com Ele.

 

E a oração: é o ambiente onde a fé respira

 

A oração mantém relacionamento e fé unidos.

 

Há momentos para pedir.

Há momentos para interceder.

Há momentos para declarar.

Há momentos para permanecer em silêncio.

Há momentos para agradecer antes mesmo de vermos qualquer mudança.

E há momentos em que simplesmente não sabemos como orar.

 

É justamente aí que Romanos 8 apresenta uma realidade extraordinária: o próprio Espírito nos auxilia em nossa fraqueza, Romanos 8:26.

 

Isso significa que até nossa vida de oração foi concebida para acontecer em cooperação com Deus, por meio de Jesus e através do Espírito Santo.

 

Não precisamos transformar a oração em apenas esforço humano para produzir uma resposta. Podemos aprender a orar com Deus, e não simplesmente falar para Deus.

 

Sim, há um orar no Espírito que nos fortalece, nos edifica.

 

O apóstolo Paulo escreve:

 

“O que fala em outra língua a si mesmo se edifica.”

1 Coríntios 14:4

 

E Judas acrescenta:

 

“Edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo.”

Judas 20

 

A oração no Espírito não substitui a Palavra, nem substitui a oração com entendimento. Ela acrescenta uma dimensão importante à vida de comunhão. Enquanto oramos esse tipo de oração m, podemos nos tornar mais atentos interiormente, mais conscientes da presença de Deus e mais sensíveis à Sua direção.

 

Não se trata apenas de falar.

 

Trata-se também de aprender a ouvir.

 

E isso deve ser desenvolvido e somado ao verdadeiro amor: o qual é um trilho de segurança e o caminho para a vitória

 

Paulo faz uma afirmação extraordinária: “A fé que atua pelo amor.” Gálatas 5:6

 

A fé que importa a Deus, a fé que recebe do céu o selo de aprovação, a fé que produz frutos de maneira sustentável, atua pelo amor. Leia 1 Coríntios 13. (leia o Livro - Amor o Caminho para a Vitória)

 

Podemos desejar desenvolver uma fé poderosa e, ao mesmo tempo, esquecer que o caráter de Cristo precisa acompanhar essa fé.

 

Por isso, o amor funciona como um trilho. Ele protege nossa fé do ego. Protege nossa autoridade espiritual da arrogância. Protege nossas confissões da dureza. Protege nossa busca por resultados egoistas de se tornar uma busca simplesmente por nós mesmos.

 

A pergunta madura não é apenas:

“Eu tenho fé para isso?”

 

Também podemos perguntar:

“O amor de Cristo está governando meu coração nessa decisão?”

 

E na medida que sua vida Cristã se desenvolve com a cooperação destas partes, destes acréscimos de maturidade, Gratidão e louvor se tornam uma expressão regular da vida de fé e da preservação do coração

 

A gratidão muda nossa postura interior. Quem agradece reconhece que Deus continua sendo Deus antes mesmo de a circunstância mudar.

 

Paulo conecta oração, petição e gratidão:

 

“Em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições.”

Filipenses 4:6

 

Existe algo poderoso nessa ordem.

 

Eu oro.

Eu creio.

E também agradeço.

 

A gratidão impede que minha oração se transforme em ansiedade espiritual.

 

O louvor tira meus olhos exclusivamente do problema e os coloca novamente sobre a grandeza de Deus.

 

A fé finalmente se transforma em ação

 

Tiago nos lembra que a fé sem obras é morta.

 

Existem momentos em que, depois de orar, precisamos agir.

 

Às vezes, a ação será telefonar para alguém.

Às vezes, será perdoar.

Às vezes, será começar um projeto.

Às vezes, será esperar.

Às vezes, será servir.

Às vezes, será plantar uma semente financeira ou algo que em Deus há valor, não como mecanismo de troca com Deus, mas como expressão de generosidade, obediência e fé, quando isso nasce de uma convicção saudável diante dEle.

 

A grande pergunta então passa a ser:

“Espírito Santo, qual é a minha resposta de fé àquilo que o Senhor está colocando em meu coração?”

 

E então obedecemos.

 

Em uma casa pode haver diferentes cômodos, mas todos pertencem à mesma casa

 

Talvez aqui esteja uma maneira madura de reunir tantas ênfases da vida cristã.

 

Não precisamos escolher entre:

 

Palavra ou Espírito.

Fé ou oração.

Confissão ou escuta.

Ousadia ou dependência.

Línguas ou entendimento.

Amor ou autoridade.

Gratidão ou petição.

Esperar ou agir.

 

A maturidade aprende a discernir como essas dimensões cooperam.

 

A Palavra estabelece.

O Espírito ilumina.

A oração aprofunda a comunhão.

A fé responde.

A confissão concorda.

O amor governa.

A gratidão preserva.

A oração no Espírito edifica.

A direção interior aponta o caminho.

E a obediência transforma convicção em movimento.

 

Não é por performance. É por comunhão.

 

Talvez essa seja a sabedoria central para hoje.

 

Não estamos tentando subir os andares de um edifício espiritual para finalmente impressionar Deus. Estamos aprendendo a habitar mais profundamente em Cristo.

 

Jesus disse:

 

“Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós.”

João 15:4

 

Esse é o centro.

 

Quanto mais permanecemos, mais Sua Palavra encontra lugar em nós.

Quanto mais Sua Palavra permanece, mais nossa fé encontra fundamento.

Quanto mais conhecemos o Espírito, mais aprendemos a reconhecer Sua direção.

 

Quanto mais somos guiados por Ele, mais nossas ações deixam de nascer simplesmente da ansiedade e passam a nascer da convicção.

 

Então, a vida espiritual deixa de ser uma coleção de ferramentas e se torna cooperação com uma Pessoa.

 

Considerações

 

Talvez a pergunta de hoje não seja apenas:

 

“Qual promessa bíblica eu preciso declarar?”

 

Talvez seja também:

 

“Espírito Santo, o que o Senhor está vivificando em mim por meio da Palavra hoje?”

 

A vida com Deus, através de Sua Palavra, é relacional: envolve falar, perguntar e ouvir.

 

E depois? E depois?

“Qual é a minha resposta de fé?”

Uau....

Pode ser confessar.

Pode ser agradecer.

Pode ser perdoar.

Pode ser semear.

Pode ser esperar.

Pode ser agir.

Pode ser simplesmente aquietar-se diante de Deus.

 

A maturidade está em conhecer a Palavra suficientemente para permanecer fundamentado nela e conhecer a presença do Espírito suficientemente para perceber como responder a ela.

 

Confissão de fé:

"Cristo vive em mim. Sua Palavra permanece em mim e é fundamento para minha fé. O Espírito Santo habita em mim, ilumina meu coração e me conduz na verdade. Eu escolho ouvir, crer e responder. Minha fé opera pelo amor. Minha oração nasce da comunhão. Minha boca concorda com a Palavra de Deus. Meu coração permanece em gratidão, e minhas ações respondem à direção do Espírito. Não busco uma performance espiritual; busco permanecer em Cristo. Hoje, pela graça de Deus, caminho em comunhão com o Pai, por meio de Cristo, na direção e no poder do Espírito Santo.

Amém".


Uma casa com os comodos baseados a Palavra

Carlos Cunha

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